setembro 08, 2004

Quase um milhão não consegue ler este texto

Dizem as estatísticas que, em Portugal, existe cerca de um milhão de pessoas que nunca foram à escola. Ou seja, são incapazes de ler este texto ou de escrever algo tão simples como o seu próprio nome. Esta triste realidade coloca Portugal na cauda da Europa.
Ao longo dos séculos XIX e XX nunca houve uma política educativa entendida enquanto tal. Nunca se deu prioridade à educação dos adultos e isso tem muito a ver com a nossa ruralização e com o regime autoritário em que vivemos durante muito tempo”, explica Licínio Lima, sociólogo da educação.

Tenho dificuldade em compreender como é possível, nos dias que correm, num país da UE, existirem tantas pessoas que não saibam ler e escrever. Estas duas operações deveriam ser tão básicas como respirar ou comer. Para mim, é quase como ter nascido cego e jamais poder apreciar as maravilhas (às vezes também os horrores) que nos rodeiam.

Mas, afinal, quem é o culpado deste estado de analfabetismo?
O réu é o Estado. A ausência de uma real política educativa que ataque fundo tão calamitoso estado de analfabetismo do povo português serve essencialmente os interesses e as preocupações da classe dominante.
É que quanto maior for o acesso à instrução e ao conhecimento da população em geral, menor será o "controle" sobre as necessidades e as aspirações de mentes socialmente desenvolvidas. Aos interesses instituídos convém que uma parte das pessoas permaneça no obscurantismo e assim sejam mais fácil e docilmente orientadas naquilo que mais convém aos interesses dominantes.
E assim, a instrução, a educação e o conhecimento das populações – com o correlato desenvolvimento pessoal e individual de cada cidadão - caminham ao sabor dos interesses materiais dos "senhores do mundo".
Basta olhar para o estrato social onde está a fatia grossa do analfabetismo para compreender que este anda de braço dado com gentes de parcos recursos e, muito frequentemente, de zonas rurais do interior.
As razões objectivas deste problema estão diante dos nossos olhos, nós, por vezes, é que nos recusamos a ver o óbvio.

Publicado por vmar em setembro 8, 2004 11:46 PM
Comentários

E não será com esta política que tem sido realizada de encerramento sistemático de estabelecimentos de ensino básico e secundário que a situação irá melhorar porque óbviamente essas gentes de parcos recursos acabam por não mandar para longe os seus filhos estudarem. Mas isto era um dos argumentos que o ditador Salazar utilizava. Ensinem-lhes a ler e escrever e depois quero ver quem é que trata da lavoura. Por isso estas atitudes não passam de mera coincidência.

Afixado por: congeminações em setembro 8, 2004 11:58 PM

Obviamente que a analfabetização faz parte de um tenebroso plano para manter as gentes longe das grandes discussões Nacionais.
Um país instruído tem gentes reivindicativas. O Fascismo, disfarçado de neo-liberalismo, segue a política Salazarenta neste e noutros itens.

Mas o mesmo se passa noutros países.
Na vizinha Espanha o livro mais procurado na net (está no top de vendas) é "A minha vida" de Hitler.

Aconselho aos meus dois amigos uma leitura:
"Francomoribundia" de Juan Luís Cebrian.

Abraços a ambos.

Afixado por: LetrasAoAcaso em setembro 9, 2004 11:29 AM

A educação é um processo dinâmico que dura toda a vida; no entanto se começar mal isto é, se os métodos usados não contribuirem para estimular a criatividade e o fascínio que é a descoberta do próprio fenómeno que constitui a vida, é muito fácil cair no ardil consumista, ou seja, deixarmo-nos arrastar pelo protagonismo, pelo sucesso, pela idolatria, mas também pela apatia e pela resignação. Os métodos pedagógicos servem os interesses de um sistema economicista.
Educar para servidão, devia envergonhar os políticos que se autodemoninam democratas; os métodos são cada vez mais sofisticados, a lavagem cerebral é feita de forma contínua, o cidadão é vítima de assédio corruptor, que lhe vai depauperando as defesas naturais, sempre exposto à causticidade invasiva, não consegue desenvolver anticorpos, nem compreender a perversidade latente que se esconde nas entrelinhhas de mensagens subliminares.
A problemática ligada à escassez de educação, mas também as deformações causadas pelos por métodos educativos desastrosos, apesar de considerados «normais», daria para escrever uma tese de douturamento.
Considero a educação, o processo mais importante e delicado, do qual depende a qualidade de vida do ser humano, as referências, os estímulos, a empatia, o fascínio pelo conhecimento, o desenvolvimento da consciência política, cívica, cultural, estética, moral espiritual, etc... pode ser completamente posto em causa por uma educação errada, do tipo, educar para inserir no mercado de trabalho, preparar um ser humano para ser uma peça descartável, inserida num sistema, que não lhe atribui menor valor que a uma máquina, é considerada um investimento imprescindível, enquanto um trabalhador não raramente é tratado como uma despesa indesejável.
Fico por aqui; peço desculpa por me alongar tanto, mas a teia de pensamentos entusiasma-me.

O nosso companheiro do LetrasAoAcaso, deixou-nos matéria para reflexão, estes tempos não auguram nada de bom, e bodes expiatórios nunca faltaram.

Um abraço
Rodrigo Ribeiro

Afixado por: Rodrigo Ribeiro em setembro 9, 2004 07:01 PM

A L E R T A sobre o célebre Imposto IMI!... Visitem meu BLOG e REPASSEM URGENTE. BJS.

Afixado por: ALUENA em setembro 9, 2004 08:01 PM

Europa desaprueba a Bush.

Definitivamente, a Europa no le gusta Bush. Así se desprende de una encuesta del instituto German Marshall Fund y de la que se hace eco este jueves 'Le Monde'. Las conclusiones son tajantes: un 76 por ciento de los ciudadanos europeos rechaza la política exterior de los Estados Unidos, o lo que es lo mismo, de su presidente actual, George W Bush. Esta tasa de desaprobación ha crecido 20 puntos en los últimos dos años, en los que ha tenido lugar la guerra de Irak, una intervención que disgustó mayoritariamente a los ciudadanos europeos que rechazan "el uso de la fuerza militar como mejor medio para asegurar la paz".


IN: http://www.diariodirecto.com/

DIVULGA!

Afixado por: PUBLICUS em setembro 9, 2004 10:13 PM

Concordo que a educação não seja uma verdadeira prioridade destes democratas e destes pedagogos que temos...
Infelizmente!

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em setembro 9, 2004 11:28 PM

Esta é a nossa triste realidade! Todos a conhecem, e quem poderia fazer alguma coisa para a alterar, parece não estar disponivel, terá interesse que ela assim permaneça? Parece-me que sim... Beijinhos Ana e Vmar!

Afixado por: Maria Branco em setembro 10, 2004 01:18 PM

Há que analisar não só o estrato social como também o escalão etário. Espero sinceramente que daqui a 30/40 anos, quando os efeitos do Salazarismo forem mínimos a percentagem seja drasticamente reduzida.

Afixado por: Rui em setembro 10, 2004 05:41 PM

Amigão; Vai ao Tadechuva que o Zecatelhado tem novas sobre o Jantar/Convívio.

Aquele abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em setembro 10, 2004 09:20 PM

Isto porque muitos não têm a coragem de ajudar a manter bem abertas as "Portas que Abril abriu".

Para muita gente é mais comodo vender a sua consciência a troco das migalhas que o Poder vai deixando cair.

Fraternas Saudações,

Afixado por: Fernando Bizarro em setembro 10, 2004 11:20 PM

Infelizmente o problema que cá se vive, ainda é um pouco pior, percentualemte falando. Sendo assim, até que ponto é que serão credíveis os referendos, as eleições, a capacidade de cada um poder livremente optar?

Afixado por: valeria em setembro 11, 2004 02:57 AM